Em todo processo de gestão ambiental, a quantificação do carbono no ambiente vem sendo requerida de forma crescente, dado que esse elemento está intimamente relacionado aos processos globais, como as mudanças climáticas. O armazenamento (sequestro) ou liberação (emissão) de carbono no solo pode aumentar ou reduzir os processos de mudanças climáticas, mas pode ser controlado pelas práticas de manejo de solos.
Por isso, é importante quantificar os teores de carbono em solos e outros sistemas naturais. Contudo, a maioria dos métodos laboratoriais utilizados, além de complexos, caros e em alguns casos pouco precisos produz danos ambientais, por utilizar como reagentes químicos o ácido sulfúrico e o dicromato de potássio, ambos cancerígenos. Além disso, gera resíduos que não podem ser descartados no esgoto comum e devem receber tratamentos específicos, o que incorpora um custo adicional às análises.
Esses métodos, portanto, caminham no sentido contrário às tendências da química moderna, a chamada Química Verde, que se preocupa com o desenvolvimento de tecnologias, métodos e processos incapazes de causar poluição.
Parceria da Universidade Federal do Acre com a Embrapa tem permitido avançar na busca por métodos “limpos” para a determinação de carbono nos solos do Estado do Acre, utilizando a técnica de Espectroscopia no Infravermelho Próximo (NIR).
A espectroscopia NIR apresenta as seguintes vantagens em relação aos métodos tradicionais: a análise é direta na amostra, não destrutiva, exige pouco ou nenhum preparo e é rápida, ou seja, em poucos minutos se obtém várias análises.
É possível determinar simultaneamente com uma única análise o teor de vários elementos do solo, além do carbono, impactando diretamente no custo das análises. Com essa técnica pode ser feita a determinação de carbono, sem o uso de reagentes químicos, o que reduz o custo da análise, além de torná-la limpa, atendendo aos preceitos da Química Verde.
Entretanto, antes que possa ser empregada para avaliar o carbono nos solos do Estado do Acre, a técnica necessita ser ajustada, além de requerer o desenvolvimento de padrões locais que possam ser utilizados na sua aferição.
A parceria Ufac e Embrapa tem proporcionado, por meio de uma dissertação de mestrado, prevista para conclusão em dezembro de 2014, o desenvolvimento da técnica no Estado do Acre. Isso tornará possível que a técnica usada, atualmente apenas nos centros mais desenvolvidos do País, possa também ser utilizada nesta região da Amazônia.
Os autores abaixo assinados.
Paulo Guilherme Salvador Wadt, engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisador da Embrapa Rondônia, paulo.wadt@embrapa.br
Maria de Jesus Mendes Rodrigues, química, mestranda do Programa de Pós-Graduação Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia,
mariadejesus2008@bol.com.br
André Marcelo de Souza, químico,
M.Sc. em Química Analítica, analista da Embrapa Solos, andremarcelo.souza@embrapa.br
Lucielio Manoel da Silva, engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Genética e Melhoramento de Plantas, analista da Embrapa Acre, lucielio.silva@embrapa.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário